enovação tinha um ponto de partida claro: abrir a cozinha para a sala. Mas esta já era grande, e uma abertura total poderia diluir o que cada espaço tem de próprio.
A solução foi o pórtico: um elemento que estabelece a ligação entre os dois espaços sem os fundir, permitindo a relação direta, a continuidade visual, a luz partilhada, mas mantendo a identidade de cada zona. Um gesto arquitetónico simples, com uma presença forte.
A antiga entrada da cozinha ganhou um destino inesperado e certeiro: um vitral déco. Um elemento que poderia ter desaparecido acabou por se tornar num dos mais distintos da casa, trazendo luz trabalhada, geometria e uma referência estética que atravessa o tempo.
O preto e o branco dominam a escolha de materiais. Esta linguagem de contrastes não precisa de se justificar: é decisiva, atemporal e dá ao conjunto uma coerência que segura tudo o resto.
Esta é uma casa que sempre soube o que queria ser: aberta, mas com limites; contemporânea, mas com memória. O equilíbrio entre o que se abriu e o que se guardou é, precisamente, o que a torna especial.