Este duplex foi comprado precisamente pelo que muitos poderiam ver como um problema: estava praticamente original. Para o arquiteto que nos confiou a renovação, era exatamente o que o tornava valioso.
O projeto que desenvolveu — e que executámos — partiu de uma premissa exigente: intervir sem desvirtuar. Manter a traça do edifício, respeitar a linguagem existente e rejuvenescer o que o tempo havia desgastado, sem nunca perder o fio condutor do passado.
Os detalhes dizem tudo: os alinhamentos de altura dos azulejos foram cuidadosamente preservados; os novos pavimentos em terrazo foram escolhidos para serem idênticos aos existentes; e as torneiras revivalistas completam a intenção. Cada escolha foi feita para que o novo e o original se tornem indistinguíveis.
A cozinha foi o momento de maior ousadia — e ainda assim, uma ousadia contida. A atualização do espaço foi o gesto mais contemporâneo do projeto, mas sempre dentro da mesma linguagem, sem quebrar o equilíbrio que o conjunto exigia.
O resultado? Um apartamento que parece sempre ter sido assim.